terça-feira, 19 de outubro de 2021

Nobel de Física 2021 vai para cientistas que contribuíram para modelos do aquecimento global

Metade do prêmio, de 10 milhões de coroas suecas, foi para o físico Giorgio Parisi, teórico dos sistemas complexos. A outra metade foi dividida entre Syukuro Manabe e Klaus Hasselmann, por um modelo físico do clima da Terra. As láureas em Química, Literatura e Paz serão entregues ainda nesta semana.

Por Lara Pinheiro, g1

05/10/2021 06h49  Atualizado há 2 semanas



Nobel de Física 2021 vai para Syukuro Manabe, Klaus Hasselmann e Giorgio Parisi


Syukuro Manabe, Klaus Hasselmann e Giorgio Parisi são os ganhadores do Prêmio Nobel 2021 em Física, anunciou a Academia Real das Ciências da Suécia nesta terça-feira (5), pelas contribuições inovadoras para a nossa compreensão de sistemas físicos complexos.

Os vencedores dividirão o prêmio, que totaliza 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,1 milhões). Metade do prêmio será dividido por Syukuro Manabe e Klaus Hasselmann, por um modelo físico do clima da Terra, quantificando a variabilidade e prevendo com segurança o aquecimento global.

A outra metade irá para Giorgio Parisi, por suas "soluções teóricas para uma vasta gama de problemas na teoria de sistemas complexos".

 

As descobertas


Syukuro Manabe, Klaus Hasselmann e Giorgio Parisi, vencedores do Nobel de Física de 2021 — Foto: Jonathan Nackstrand / AFP

 

Todos os três vencedores contribuíram para o entendimento dos sistemas físicos complexos – que podem ter um número enorme de componentes ou serem governados pelo acaso. Um exemplo desse tipo de sistema é o clima da Terra.

Syukuro Manabe, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, demonstrou como o aumento das concentrações de dióxido de carbono na atmosfera leva ao aumento da temperatura na superfície da Terra.

Ele descobriu que, quando o nível de CO2 na atmosfera dobrava, a temperatura global aumentava mais de 2ºC.

Foto de 2018 mostra Syukuro Manabe, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, vencedor do Nobel de Física 2021. Ele demonstrou como o aumento das concentrações de dióxido de carbono na atmosfera leva ao aumento da temperatura na superfície da Terra. — Foto: Johan Nilsson/TT News Agency via Reuters

Na década de 1960, Manabe liderou o desenvolvimento de modelos físicos do clima da Terra e foi a primeira pessoa a explorar a interação entre o balanço de radiação e o transporte vertical de massas de ar. Seu trabalho lançou as bases para o desenvolvimento de modelos climáticos.

Cerca de dez anos depois, Klaus Hasselmann, do Instituto Max Planck de Meteorologia, em Hamburgo, na Alemanha, criou um modelo que liga o tempo e o clima – respondendo, assim, à pergunta de por que os modelos climáticos podem ser confiáveis apesar de o tempo ser mutável e caótico.



Cientista Klaus Hasselmann posa para uma foto em sua casa em Hamburgo, na Alemanha, depois de ganhar o Nobel de Física de 2021, no dia 5 de outubro. — Foto: Fabian Bimmer/Reuters

Ele também desenvolveu métodos para identificar sinais específicos – "impressões digitais" – que fenômenos naturais e atividades humanas imprimem no clima. Seus métodos têm sido usados para provar que o aumento da temperatura na atmosfera é devido às emissões humanas de dióxido de carbono.

Na avaliação do comitê, Manabe e Hasselmann "contribuíram para o maior benefício para a humanidade, no espírito de Alfred Nobel, fornecendo uma base física sólida para nosso conhecimento do clima da Terra".

 

"Não podemos mais dizer que não sabíamos – os modelos climáticos são inequívocos. A Terra está esquentando? Sim. A causa é o aumento da quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera? Sim. Isso pode ser explicado apenas por fatores naturais? Não. As emissões da humanidade são a razão para o aumento da temperatura? Sim", diz o comitê em uma explicação sobre as pesquisas no site.

Ordem na desordem

 

Giorgio Parisi, vencedor do Prêmio Nobel de Física 2021 — Foto: Remo Casilli via Reuters


O terceiro laureado, Giorgio Parisi, da Universidade Sapienza de Roma, na Itália, ficou com metade do prêmio sozinho (5 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 3,1 milhões). A descoberta dele é do campo da física teórica – e um pouco mais complexa de entender.

Veja, a seguir, o exemplo que o comitê do Nobel deu para explicar a contribuição do físico para a área dos sistemas complexos:


  • Imagine as partículas em um gás. Elas podem ser consideradas como pequenas bolas, voando a velocidades que aumentam com temperaturas mais altas.
  • Quando a temperatura cai ou a pressão aumenta, as bolas primeiro se condensam em um líquido e, em seguida, em um sólido. Este sólido é geralmente um cristal, em que as bolas são organizadas em um padrão regular.
  • No entanto, se essa mudança acontecer rapidamente, as bolas podem formar um padrão irregular que não muda – mesmo se o líquido for mais resfriado ou comprimido.
  • Se o experimento for repetido, as bolas assumirão um novo padrão, apesar de a mudança ocorrer exatamente da mesma forma (veja na imagem abaixo). Por que os resultados são diferentes?


Se a mudança de temperatura acontecer rapidamente, as bolas podem formar um padrão irregular que não muda – mesmo se o líquido for mais resfriado ou comprimido. Se o experimento for repetido, as bolas assumirão um novo padrão, apesar de a mudança ocorrer exatamente da mesma forma Por que os resultados são diferentes? — Foto: Reprodução/The Nobel Prize

As bolas comprimidas são um modelo simples para vidro comum ou materiais granulares, como areia ou cascalho.

O tema do trabalho de Parisi, entretanto, era um tipo diferente de sistema – o vidro de spin (em inglês, "spin glass"). Este é um tipo especial de liga metálica em que átomos de ferro, por exemplo, são misturados aleatoriamente em uma grade de átomos de cobre.

Mesmo que haja apenas alguns átomos de ferro, eles mudam as propriedades magnéticas do material: cada átomo de ferro se comporta como um pequeno ímã (ou spin), que é afetado pelos outros átomos de ferro próximos a ele.


Modelo de 'spin glass'. O vermelho representa os átomos de ferro; o verde, os átomos de cobre. — Foto: Reprodução/Nobel Prize                         

Em um ímã comum, todos esses "spins" dentro dele apontam para a mesma direção, mas, em um vidro de spin, eles são "frustrados": alguns pares de ímãs querem apontar na mesma direção e outros na direção oposta – então, como eles encontram uma orientação ideal?                                                                               

Na década de 1970, muitos físicos, incluindo vários ganhadores do Prêmio Nobel, procuraram uma maneira de descrever os vidros spin. Parisi foi o que conseguiu fazer isso, em 1979. Mesmo assim, foram necessários muitos anos para que sua solução fosse provada matematicamente correta.                                                      


"O que o Parisi fez foi tentar descrever macroscopicamente como essas interações microscópicas entre os átomos funcionam. E isso se aplica a vários outros sistemas – até grupos de passarinhos voando juntos", explica o físico Leandro Tessler, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW), da Unicamp.


Descoberta de Parisi se aplica a grupo de passarinhos voando — Foto: Pexels

"Quando pássaros voam em bando, todos querem estar na região turbulenta, onde gastam menos energia ao bater as asas. Parisi mostrou que considerando somente isso é possível prever a forma e tamanho dos bandos de aves", explica Tessler.

Para o brasileiro, a descoberta é importante porque "permitiu que a gente entenda coisas muito profundas sobre o que chama de sistemas frustrados – sistemas que não conseguiram encontrar o mínimo de energia – aí entra o clima também. Qualquer sistema que por algum motivo não consegue atingir o seu mínimo de energia, a sua configuração mais estável, é descrita pelas equações do Parisi", conclui.

 

https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2021/10/05/nobel-de-fisica-2021-vai-para-syukuro-manabe-klaus-hasselmann-e-giorgio-parisi.ghtml

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Profissionais da rede pública têm acesso gratuito ao 1º Congresso Brasileiro de Metodologias Ativas na Educação Básica, de 9 a 12/10

Como transformar a sala de aula em um ambiente mais participativo e motivador para os alunos? Um dos caminhos é por meio do uso de metodologias ativas, um modelo que coloca o estudante como protagonista do processo de aprendizagem, e o educador como orientador fundamental dessa jornada.

Entre os dias 9 e 12/10, o tema estará em debate no 1º Congresso Brasileiro de Metodologias Ativas na Educação Básica, uma iniciativa do Núcleo de Pesquisas em Novas Arquiteturas Pedagógicas da Universidade de São Paulo (NAP/USP), da Association of Problem-Based Learning and Active Learning Methodologies (PANPBL) e do Instituto iungo.

Os profissionais da rede pública terão acesso gratuito ao evento, uma oportunidade de atualização importante sobre as tendências mais inovadoras no setor.

Palestras, mesas-redondas e oficinas imersivas fazem parte da programação, que vai contar com nomes importantes do cenário nacional e internacional; entre eles: William N. Bender, da University of North Carolina; Lynn Barendsen, do Project Zero e da Harvard Ed School; e Samson Tan, do National Institute of Education.

O Congresso vai reunir gestores e professores das redes pública e privada e ONGs, para trocar experiências, vivenciar práticas e construir soluções de forma colaborativa para o uso do modelo como uma forma de ressignificar a Educação no contexto atual. O encontro também tem como foco a conexão entre educadores interessados em estabelecer uma rede voltada à inovação na área.

Confira a seguir alguns dos temas previstos:

09/10
8h30 às 9h30
Conferência
Nacional
A aprendizagem baseada em projetos no ensino híbrido
10/10
8h30 às 9h30
Conferência
Nacional
STEAM, P²BL e o papel indutor das Feiras de Ciências e Engenharia na Educação Básica
11/10
8h30 às 9h30
Conferência
Nacional
Metodologias ativas na Educação Básica: pontos e contrapontos
12/10
8h30 às 9h30
Conferência
Nacional
Metodologias ativas, tecnologias e qualidade na Educação: uma equação possível?
09/10
10h às 10h30
Conferência InternacionalAprendizagem Baseada em Problemas e por Projetos na sala de aula
11/10
10h às 10h30
Conferência InternacionalExcelência, ética e engajamento na formação do Bom professor
12/10
10h às 10h30
Conferência InternacionalO futuro da Educação no mundo pós-Covid-19
09/10
11h00 às 11h30
Mesa-redonda 1Formar em rede: conhecer, conectar, colaborar, criar, compartilhar
09/10
13h às 13h30
Mesa-redonda 2Que iniciativas têm surgido em prol de uma Educação mais mão na massa, criativa e inovadora?
10/10
11h às 11h30
Mesa-redonda 3Projetos de vida e as metodologias ativas de aprendizagem: psicologia, ética e práticas escolares
10/10
13h às 13h30
Mesa-redonda 4Metodologias ativas e mediação tecnológica na formação de docentes e gestores escolares
11/10
11h às 11h30
Mesa-redonda 5Alfabetizar letrando na perspectiva das metodologias ativas
11/10
13h às 13h30
Mesa-redonda 6Aplicações de metodologias inovadoras na Educação Básica e a promoção de impacto social
12/10
11h às 11h30
Mesa-redonda 7Tornar o pensamento visível em contexto de ensino e aprendizagem: desafios e oportunidades
12/10
11h às 11h30
Mesa-redonda 8Tecnologias e linguagens na Educação Básica

 

Para mais detalhes sobre a programação, acesse: https://educacaoativa.panpbl.org

1º Congresso Brasileiro de Metodologias Ativas na Educação Básica
Data: 
de 9 a 12/10
Horário: 
das 8h30 às 16h
Inscrições
: https://educacaoativa.panpbl.org/inscricoes2/

 


segunda-feira, 27 de setembro de 2021

App G1 Enem desafia candidato com jogo de perguntas e dicas em vídeos

 Aplicativo está disponível para sistemas IOS, Android e Windows Phone. Jogo tem centenas de perguntas nas quatro áreas do Enem.

 


G1 Enem: telas do aplicativo que reúne perguntas e dicas em vídeos (Foto: Reprodução/G1)

O G1 lançou nesta quinta-feira (20) o aplicativo G1 Enem, voltado para os estudantes que prestarão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Clique nos links a seguir para baixar:


- Aplicativo G1 Enem para IOS na App Store
- Aplicativo G1 Enem para Android na Google Play
- Aplicativo G1 Enem para Windows Phone na Microsoft

O app gratuito “G1 Enem” é um jogo de perguntas e respostas para celular que testa o conhecimento nas quatro áreas em que são divididas as provas do Enem (matemática, ciências humanas, ciências da natureza e linguagens e códigos).

O app também terá dezenas de dicas em videoaulas. Ele apresenta centenas de perguntas criadas para que os candidatos do Enem possam se testar sozinhos, desafiar amigos do Facebook ou escolher outros usuários aleatoriamente.

As questões foram elaboradas por professores de cursinhos parceiros do portal. A cada acerto, os estudantes receberão uma mensagem de incentivo. Mas, caso o desempenho não tenha sido o ideal, o app vai sugerir dicas de vídeos sobre assuntos que podem cair nas provas.

Entre as funcionalidades do "G1 Enem" está a possibilidade de os estudantes visualizarem sua posição no ranking de acordo com sua opção de carreira. Também é possível colecionar medalhas a partir do desempenho.

O jogador terá 25 segundos para responder cada pergunta. Quanto mais rápido, mais pontos somará. Ao final de cada rodada de desafio, os pontos que ele ganha no ranking vão refletir a média do seu rendimento no jogo.

Confira mais em g1.com.br/appg1enem

Estudante do curso de licenciatura em Física do IFSP - Registro desenvolve aplicativo para o ensino sobre Astronomia indígena brasileira


 

O aplicativo tem o intuito de trazer os saberes indígenas sobre astronomia e épocas de plantio

 

O Estudante de licenciatura de Física Giovani Barreto, buscando formas de inovar no ensino do aprendizado de Astronomia para os jovens do ensino médio, inspirou-se na sabedoria indígena das culturas Tembé-Tenetehara, Tupi-Guarani, Tukano e Tupinambá para desenvolver o aplicativo "AYAKAMAÉ".

O aplicativo "AYAKAMAÉ” é dedicado a ensinar astronomia por meio de atividades educativas. As atividades foram fundamentadas nos saberes indígenas. O app é resultado do projeto de conclusão de curso de Licenciatura em Física do estudante-Giovani Barreto (22), sob a orientação dos professores, Profª Ma. Natalia Bortolaci e co-orientador Prof. Dr. Gregori de Arruda Moreira.

Giovani Barreto nos explicou que, “ao estudar as narrativas indígenas, podemos nos aproximar pelo menos um pouquinho do que eles têm a nos proporcionar, do nosso passado e da cultura presente próximo de nós. A minha intenção era contemplar a riqueza cultural que há no Brasil"


O curso de licenciatura em Física oportuniza, além do aprendizado dos conteúdos técnicos da Física, a formação do aluno voltada a desenvolver soluções educacionais para inovação na aprendizagem.

De acordo com o Prof Ivelton, Coordenador do Curso de Licenciatura em Física: “Giovani Barreto, é um estudante dedicado e envolvido nas questões educacionais e metodológicas voltadas para o ensino. O desejo dele em fazer uma contribuição para o ensino de física sempre foi algo que ele buscou durante todo o curso. Agora ele apresenta o resultado da sua dedicação com esse aplicativo que deve contribuir direta e indiretamente para o ensino de física no nível médio. O aplicativo desenvolvido tem o intuito de trazer um tema que muitas vezes é esquecido que são os saberes indígenas sobre astronomia e épocas de plantio, além de destacar a cultura encontrada no Vale do Ribeira, pois aqui é uma região de muitos quilombos e aldeias indígenas, cada um com sua história e conhecimento. Favorecer também a divulgação da cultura local é dar a oportunidade de o Brasil conhecer um pouco mais sobre a nossa região. Ferramentas voltadas para o ensino como esse aplicativo sempre traz um ganho para a educação, seja de forma específica ou geral”.

O app "AYAKAMAÉ” está disponível para o sistema Android, e já pode ser baixado pelo Play Store.

Ficou curioso(a) para saber o significado do nome do app? Ajude baixando, avaliando o aplicativo, e descobrindo o que “AYAKAMAÉ” significa.

Contato: g.barreto@aluno.ifsp.edu.br

https://www.registrodiario.com.br/noticia/10859#foto

 

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Dia Nacional dos Profissionais de Educação

 



No dia 6 de agosto, é comemorado o Dia Nacional dos Profissionais da Educação, data festiva que visa, sobretudo, a reforçar a grande importância desses profissionais não só para o compartilhamento e acesso ao conhecimento, mas também para o desenvolvimento social do Brasil.

Todas as profissões dependem de alguém para serem ensinadas, afinal, o conhecimento é algo que adquirimos ao longo das experiências da vida. Assim, o professor e toda a rede educacional são os  responsáveis por passar o conhecimento adiante e cultivar em cada aluno a semente transformadora da educação.

quarta-feira, 16 de junho de 2021

A Física dos Vingadores

É possível discutir alguns conceitos físicos interessantes presentes nas histórias de filmes como os Vingadores.

Os filmes de super-heróis quase sempre provocam no grande público alguns questionamentos sobre diversos conceitos da Física. Fizemos algumas análises e listamos curiosidades relacionadas às super-habilidades dos heróis que formam os Vingadores. Não deixe de conferir!

Energia do Homem de Ferro

Após um acidente envolvendo estilhaços de granada, Tony Stark acorda com um potente eletroímã (aprenda a fazer um clicando aqui) em seu peito, cuja principal função é retardar o avanço dos fragmentos metálicos do explosivo que se dirigem ao seu coração por meio da força magnética.

Esse eletroímã foi instalado por seu companheiro de cela e cientista Ho Yinsen, que, mais tarde, ajudou-o na criação de uma miniatura do reator Arc, um reator de fusão nuclear a frio usado como fonte de energia para seu eletroímã e também para alimentar o seu famoso exoesqueleto metálico.


Tony Stark, um dos heróis de Vingadores, em sua armadura
(Crédito: Creative_Stockphoto / Shutterstock.com)

O reator Arc foi criado por Howard Stark, cientista e pai de Tony, que estava motivado a obter uma nova e poderosa fonte de energia. O primeiro projeto desse reator assemelha-se muito a um tipo de reator nuclear experimental: o Tokamak. Trata-se de um poderoso eletroímã em formato toroidal (parecido com uma rosquinha) que confina, em uma pequena região de vácuo, um feixe de plasma em altíssimas temperaturas, promovendo reações altamente energéticas de fissão nuclear.

Atualmente, existem três reatores Tokamak no Brasil, todos utilizados para a pesquisa em grandes universidades. A figura abaixo apresenta uma concepção artística do interior de um reator Tokamak.

Martelo de Thor

Thor, o deus da mitologia nórdica, é um dos integrantes dos Vingadores. Ele é o usuário do poderoso martelo Mjolnir. A arma é usada por Thor como um condutor de seus poderes, capaz de gerar grandes correntes elétricas, retornar à mão do seu portador livremente, independente das distâncias, além de transportar o seu usuário quando balançado, possivelmente devido à sua grande inércia.

De acordo com os quadrinhos, o martelo foi forjado a partir do núcleo de uma estrela em seus estágios finais de vida, em razão de um grande colapso gravitacional, provavelmente uma estrela anã ou, ainda, uma estrela de nêutrons. A densidade desses corpos celestes está entre as maiores de todo o Universo, chegando a até 1017 kg/m3. Dessa forma, o martelo de Thor deveria ter uma massa de alguns milhões de quilogramas.

Além disso, há um “encantamento” sobre esse objeto, que se torna infinitamente pesado nas mãos de quem não for digno de manejá-lo. A figura a seguir traz uma concepção artística de uma estrela de nêutrons:

Incrível Hulk


Bruce Banner transformado no super-herói Hulk
(Crédito: Ewa Studio / Shutterstock.com)

Depois de um acidente que envolvia uma grande exposição à radiação gama, durante a detonação de uma bomba experimental, o cientista Bruce Banner desenvolveu o poder de transformar-se em uma criatura de força colossal e pele esverdeada, com 2,30 m de altura e cerca de 630 kg, números bastante impressionantes quando comparados ao de Bruce, um ser humano comum, de 1,60 m e 58 kg. Por mais impressionante que seja sua transformação, algo é ainda mais intrigante: a origem de sua grande massa adicional.

Possivelmente, uma grande quantidade de energia foi absorvida durante o evento radioativo que o transformou, já que, de acordo com a equação de Einstein, existe uma relação entre massa de repouso e energia, dada por E = mc2, na qual c é a velocidade da luz (3.108 m/s). Portanto, a massa adicional adquirida em sua transformação, cerca de 570 kg, equivale a:

Dessa forma, a cada nova transformação, o gigante verde utiliza uma quantidade de energia similar àquela consumida em todo o território dos Estados Unidos da América no ano de 2008, conforme os dados publicados no site da Agência Central de Inteligência (CIA). Além disso, essa quantidade de energia é cerca de 100 vezes maior que a energia liberada pela explosão da bomba atômica mais potente já produzida, a Tsar Bomb.

A radiação gama liberada na fissão nuclear, a mesma que transformou Bruce Banner, é altamente ionizante, ou seja, tem o poder de arrancar elétrons de átomos e moléculas e, até mesmo, de alterar o DNA de seres vivos. No entanto, a alta intensidade presente nesses raios gama é muito nociva aos seres vivos e, provavelmente, mataria um ser humano comum.

Teia do Homem-Aranha


Aranhas reais produziriam teias tão fortes quanto às do herói, se tivessem a mesma dimensão
(Crédito: Anton_Ivanov / Shutterstock.com)

Peter Parker utiliza suas teias para imobilizar inimigos e para locomover-se. Em uma cena específica do segundo filme, o herói utiliza suas teias para desacelerar até o repouso um grande trem que cairia em um rio. Carregando quase mil passageiros, os trens de Nova Iorque movem-se a até 85 km/h, com uma massa de 200.000 kg. Portanto, de acordo com os cálculos de dinâmica e cinemática decorrentes da 2ª Lei de Newton, as teias devem ter exercido uma força de aproximadamente 300.000 N sobre o trem.

Esses valores indicam que as teias sejam ainda mais resistentes que cabos de aço, mas o mais impressionante é o fato de que algumas aranhas reais produziriam o mesmo feito se suas teias tivessem as mesmas dimensões que as produzidas pelo herói2. Alguns materiais sintéticos como os nanotubos de carbono podem apresentar resistências similares e até mesmo maiores. Quem sabe no futuro teremos esses materiais no lugar de cabos de aço?

Escudo do Capitão América

O escudo utilizado pelo vingador original, Capitão Steve Rogers, é capaz de absorver vibração e impacto, estocando toda a sua energia cinética e devolvendo-a no sentido oposto. Além disso, por meio dele, o Capitão América consegue saltar de grandes alturas sem sofrer qualquer dano, pois todo o impacto é absorvido pelo material do escudo: um metal fictício extremamente resistente chamado de Vibranium.

De acordo com as origens desse material apresentadas nos quadrinhos, todo o Vibranium da Terra veio em um meteoro, cerca de 10 mil anos atrás. Deixamos aqui a seguinte questão: se o Vibranium é capaz de redirecionar a energia cinética de qualquer tipo de impacto, a queda do meteorito deveria ter acarretado efeitos catastróficos, causando uma destruição de grandes dimensões.




Existe física por trás dos superpoderes dos Vingadores*
Por Rafael Helerbrock
Graduado em Física
https://cienciahoje.org.br/coluna/o-estranho-mundo-do-doutor-estranho/

SUPER-HERÓIS NA AULA DE FÍSICA

O mundo dos super-heróis e seus poderes pode ser uma ferramenta poderosa no ensino de Física. Discutindo as características dos personagens, uma gama de assuntos pode ser trabalhada.


O mundo dos super-heróis fascina e cativa alunos de todas as idades. Esse universo pode ser utilizado para entender e ampliar os conhecimentos de conceitos físicos.

O professor deve compreender que o cinema trabalha com a ciência dita ficcional, sem compromisso com a realidade, utilizada como insumo para a criação de um universo próprio. Por essa razão, não vale a pena procurar erros e minimizar os super-heróis, mas, sim, mostrar que, quando o assunto é a ciência real, aqueles poderes atuariam de modo diferente ou, muitas vezes, seria impossível que eles existissem.

A seguir temos comentários feitos acerca de alguns super-heróis e vilões do cinema. A ideia dessa aula é trazer a Física para o mundo dos alunos e mostrar a eles o quanto essa ciência é importante para todos.

→ Magneto

Descrição:

O Magneto é um vilão que, em certos momentos, atua como herói e possui a capacidade infinita de manipular o magnetismo e suas diversas formas.

  • Magneto teria a capacidade de manipular todo tipo de material ferromagnético;

  • Não poderia parar balas, que, em sua grande maioria, são feitas de chumbo, material que não é ferromagnético;

  • Poderia agir no centro de níquel e ferro que compõe o núcleo terrestre e parar a rotação da Terra;

  • Aproveitando a propriedade diamagnética da água, Magneto expandiria a água do corpo de uma pessoa até que ela explodisse;

  • Por meio de estímulos magnéticos, o vilão poderia desligar as funções corporais de uma pessoa;

  • Poderia gerar eletricidade.

→ Super-homem

Descrição:

Personagem criado pela DC Comics em 1938, o super-homem é um extraterrestre nativo do planeta Krypton. Conhecido como o homem de aço, o herói possui força sobre-humana, visão de raios x e pode voar. A única fraqueza desse famoso personagem é um minério chamado de Kryptonita, que só existe em seu planeta natal.

  • Para voar, o herói precisaria de algum mecanismo de propulsão. Nesse ponto existe a possibilidade de trabalhar com os alunos quais são as forças envolvidas no voo dos aviões;

  • Seus olhos são fontes e receptores de raios x;

  • Um dos feitos desse herói foi fazer a Terra girar ao contrário para que o tempo pudesse voltar e ele conseguisse salvar a sua amada, Lois Lane. Aqui existe a possibilidade de se trabalhar conceitos relativísticos e as condições impostas pela Física para a possibilidade de uma viagem no tempo;

  • Como o herói é um extraterrestre, há a possibilidade de diálogos a respeito das dimensões do universo e da possibilidade de vidas em outros planetas.

→ Flash

Descrição:

Personagem da DC COMICS, o nome real do Flash é Barry Allen, que, após ser atingido por um raio e, ao mesmo tempo, ter sido exposto a produtos químicos, adquiriu a capacidade de correr a velocidades altíssimas.

  • É possível trabalhar com os alunos quais seriam os efeitos sobre o corpo humano caso fosse possível atingirmos a velocidade da luz;

  • Sem a força de atrito, Flash nunca poderia sair do lugar;

  • A impossibilidade de o herói correr pela lateral de prédios por conta da falta de atrito também é uma possibilidade de discussão;

  • Ser salvo pelo Flash durante uma de suas intensas corridas poderia gerar danos irreparáveis sobre o corpo de uma vítima por conta da inércia;

  • As velocidades atingidas pelo personagem podem ser superiores à velocidade de escape da Terra.

→ Capitão América

Descrição:

O Capitão América, personagem criado pela Marvel em 1941, é resultado de um experimento para criação de super-humanos feito sobre o franzino, mas corajoso, Steve Rogers, no ano de 1920.

  • Pode-se trabalhar em sala as propriedades do escudo do Capitão América que permitem colisões perfeitamente elásticas;

  • É possível discutir as terapias gênicas e a criação de super-humanos.

Existe uma infinidade de heróis e vilões que merecem ser discutidos em sala de aula. Repare que, ao falar de um personagem, surgem diversos assuntos que podem ser explicados e explorados com os alunos.


Por Joab Silas
Graduado em Física

https://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/super-herois-na-aula-fisica.htm

Resultado do 2º Concurso de vídeos de Ciências do Canal Ciência? Eureka!

   Segue a lista dos trabalhos vencedores do  2º Concurso de vídeos de Ciências do Canal Ciência? Eureka!. A competição foi realizada em par...