terça-feira, 14 de junho de 2022

Resultado do Concurso de vídeos de Ciências e Física do Canal Ciência? Eureka!


 

Segue a lista dos trabalhos vencedores do 1º Concurso de vídeos de Ciências e Física do Canal Ciência? Eureka!.

A competição foi realizada em parceria com os Blogs Ciências – DER Registro e Física – DER Registro, e é uma atividade interdisciplinar, idealizada para expor os alunos a uma forma de comunicação visual de um experimento físico, na qual eles deveriam idealizar um experimento, roteirizá-lo, e produzi-lo em um curta-metragem, que contivessem uma visualização clara do fenômeno e seu embasamento teórico.

 

Parabéns a todos os participantes!

 

Todos os vídeos participantes podem ser encontrados no Canal do YouTube Ciência? Eureka!

https://www.youtube.com/channel/UC2LbrxEkJJSSucjcagtuoWg/videos

 

1º Lugar

HÁ QUÍMICA NAS CAVERNAS!

 



Alunos: Aline Ferreira Gonçalves, Ana Júlia Rodrigues Teixeira Menezes, Gabriela Gonçalves de Freitas, Geovana Coutinho da Silva, João Pedro de Souza, Ruan Gomes Capela.

Professor Lélis Ribeiro.

E.E. PROFESSORA MARIA APARECIDA VIANA MUNIZ

 

2º Lugar

VIOLETA QUE DESAPARECE


Alunos: Cauani de Macedo Batista, Giovana Maria de Oliveira, Maria Clara Muniz Hipólito, Renzo Gabriel Menezes de Souza.

Professora Alessandra de Morais Rodrigues

E.E. PEI KOKI KITAJIMA

 

3º Lugar

ARCO ÍRIS – DENSIDADE


Alunos: Gabriel Lobo de Oliveira, Joana Letycia Santos Silva Nery, Juan Gabriel Ferreira da Silva, Karoline Namie Takeshita Tahara.

Professora: Patrícia Takeshita de Oliveira

E.E.PEI KOKI KITAJIMA

 

 


segunda-feira, 18 de abril de 2022

Brasileira de 16 anos identifica 1.450 galáxias para observatório do Japão

A estudante Maria Larissa Paiva, de 16 anos, participa de projeto de astronomia de observatório do Japão

Imagem: Arquivo pessoal

 

Ed Rodrigues

Colaboração para Tilt, do Recife

25/03/2022

 

Uma estudante de 16 anos do Ceará acabou de concluir uma análise astronômica onde classificou sozinha 1.450 galáxias para o projeto "Galaxy Cruise", do Observatório Astronômico Nacional do Japão. Antes, a jovem Maria Larissa Paiva havia descoberto um asteroide, feito que foi reconhecido pela Nasa, agência espacial dos Estados Unidos.

 

As galáxias são conjuntos de estrelas, poeira cósmica e matéria escura, e classificar tudo isso não foi uma tarefa tão comum. Em conversa com Tilt, a jovem conta que desde janeiro tem se dedicado muito ao processo, que envolve análise de características como tamanho, luminosidade, formato e comprimento de ondas das galáxias.

 

Em seguida, os dados são registrados em um software do projeto. "Depende muito do tempo que cada pessoa deposita no trabalho de classificação e o quanto a pesquisa é levada a sério. Até o momento estive 100% sozinha nas pesquisas. Não foi fácil", diz a estudante, que divide seu tempo entre o projeto e as atividades do terceiro ano do ensino médio.

 

Essa classificação de galáxias pode ajudar pesquisadores, por exemplo, a prever alguns fenômenos como a colisão desses sistemas. No projeto do Observatório Astronômico Japonês, as galáxias classificadas pelos colaboradores (que podem ser profissionais e voluntários) passam pela aprovação do programa Galaxy Cruise, que está sempre em atualização. Na plataforma, existe uma espécie de ranking de análises. É por lá que a jovem tem o controle de quantas galáxias ela conseguiu analisar.

 

Começo com as estrelas "Três Marias"

A relação de Maria Larissa com a astronomia começou na infância, com o desejo de saber o nome dos astros que iluminavam o céu de sua cidade natal, Pires Ferreira, no interior do Ceará.

 

"Certa noite, minha avó paterna, Mundinha, estava sentada na varanda e eu estava no quintal brincando. Cheguei para ela e questionei se as estrelas tinham nomes. 'Não sei todas, minha filha, mas o nome daquelas três ali são Maria. São as Três Marias [chamada de Cinturão de Órion]'. A minha curiosidade só se multiplicou", lembra a jovem.

 

A avó da estudante não tinha o conhecimento específico da área para responder a todas as perguntas. O assunto, ainda fresco na cabeça da então criança, continuou no dia seguinte, na escola. Professores, colegas de sala... todos que pudessem ajudar na sua busca por respostas.

 

"Sem respostas. Ninguém sabia nada sobre as estrelas e planetas, ou consideravam desnecessárias as minhas perguntas. Fiquei frustrada, mas nunca perdi o hábito de contemplar a Lua, as estrelas e a natureza", lembra.

Já adolescente, ela continuou suas pesquisas. Em uma locadora/lan house, ela pesquisou títulos que abordassem astronomia.

 

"Pesquisei pelas Três Marias e o resultado me trouxe exatamente esta palavra: astronomia. Até então, eu não sabia que existia. Descobri tudo o que sei hoje sobre o Cinturão de Orion composto por Mintaka, Alnitak e Alnilam. Sempre dou ênfase em descoberta porque foi isso que eu senti: felicidade, a satisfação do aprendizado", afirma.

 


Maria Larissa Paiva classificou 1.450 galáxias em projeto de Observatório Astronômico Nacional do Japão

Imagem: Arquivo pessoal

 

Análise das galáxias

Depois que a jovem soube que astronomia não tratava apenas de estrelas e que existem vários números envolvidos, história, matemática e até mitologia, Maria Larissa buscou novas ferramentas para "viajar" espaço adentro.

Em 2021, a cearense conheceu o projeto ScietyLab, criado para democratizar a ciência no Brasil, e realizou suas primeiras classificações.

Em seguida, iniciou o trabalho junto ao Observatório Astronômico Nacional do Japão. Por meio de um programa que fornece imagens feitas por uma câmera de alta tecnologia (Hyper Suprime-Cam) com apoio do telescópio Subaru, ela passou a se concentrar na análise das características das galáxias: foram 146 no final no final do ano passado e 1.000 desde janeiro deste ano.

Ela acrescenta que durante o processo os dados são atualizados com frequência e que nem mesmo pesquisadores profissionais podem classificar definitivamente as galáxias. "É uma área que ainda está sendo explorada. É recomendado refazer os treinos ou repetir as classificações, que foi o que fiz no começo até ganhar confiança e contribuir com o programa de fato", diz.

Fãs de astronomia podem contribuir com as análises se cadastrando no Galaxy Cruise. "Eu recomendo muito que acompanhem perfis que divulgam essas oportunidades, como o meu perfil no Instagram, por exemplo, e projetos brasileiros de democratização de conhecimento como o Sem Parar", aconselha.

Veja mais em: https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2022/03/25/astronomia-adolescente-ceara-galaxias-classificacao-observatorio-japao.html

segunda-feira, 14 de março de 2022

Fusão nuclear: como é o poderoso 'sol artificial' com que a China espera gerar energia limpa

Carlos Serrano (@carliserrano)
8 dezembro 2020
BBC News Mundo 

CRÉDITO,GETTY/ O HL-2M FUNCIONA COMO UMA ESPÉCIE DE 'SOL ARTIFICIAL'

A energia de fusão nuclear é uma promessa que se busca tornar realidade há décadas em vários países. E agora a China disse estar um passo mais perto do feito.

Autoridades chineses anunciaram no fim de semana (5 e 6/12) que colocaram em funcionamento um reator direcionado para a meta de gerar energia por fusão nuclear.

O equipamento chamado HL-2M Tokamak está localizado na cidade de Chengdu, capital da Província de Sichuan, no sudoeste da China.

Ele é capaz de gerar temperaturas de 150.000.000º C, o que o levou a ser chamado de "sol artificial".

Em comparação, o núcleo do Sol alcança "apenas" 15.000.000º C.

As altas temperaturas geradas pelo "sol artificial" são fundamentais para obter a fusão nuclear, um processo tido por anos como uma maneira de produzir energia limpa e praticamente inesgotável.

E em que consiste o anúncio da China e o que ele significa na corrida pela aguardada energia de fusão nuclear?


Fusão nuclear

Para entender o feito chinês, primeiro é preciso explicar o que é a fusão nuclear.

Como seu nome indica, é um processo no qual o núcleo de dois átomos leves se unem para formar um núcleo mais pesado.


CRÉDITO,GETTY/ OS TOKAMAKS EMULAM REAÇÕES DE FUSÃO COMO AS QUE ACONTECEM NO SOL

 

A cada reação de fusão, é liberada uma grande quantidade de energia.

Assim funcionam o Sol e as estrelas, onde a cada segundo ocorrem milhões de reações em que os núcleos de hidrogênio, por exemplo, se fundem e geram núcleos de hélio.

A ideia é pegar um tipo de gás de hidrogênio, esquentá-lo a mais de 100 milhões de graus Celsius até que ele forme uma nuvem fina e frágil chamada plasma, e então controlar esse plasma por meio de poderosos ímãs até que os átomos se fundam e liberem energia.

Esse processo libera baixas quantidades de carbono e poucos resíduos, razão pela qual a fusão nuclear foi proposta como uma forma eficiente de proteger o meio ambiente.

Entusiastas da energia de fusão nuclear argumentam que ela poderia deixar para trás o uso de combustíveis fósseis por meio da queima, um dos principais culpados pelas mudanças climáticas.

Atualmente, a energia nuclear é produzida por processos de fissão, método contrário à fusão em que um núcleo pesado é dividido para produzir outros mais leves.

CRÉDITO,GETTY/ A CHINA TEM EXALTADO SEU PROGRAMA DE ENERGIA POR FUSÃO NUCLEAR, E PRETENDE USÁ-LA COMERCIALMENTE EM 2050


A fissão gera grandes quantidades de lixo radioativo e levanta preocupações relacionadas à proliferação de armas nucleares.

Além disso, ao contrário da fusão, a fissão cria uma reação em cadeia, criando o risco de uma explosão.

A energia de fusão é, também por isso, considerada mais segura do que a energia de fissão.

 

O sol artificial

O equipamento inaugurado pela China é o que os engenheiros chamam de tokamak, uma máquina desenvolvida para aproveitar a energia da fusão nuclear.

Um tokamak funciona como uma câmara a vácuo em forma de anel onde o gás, mediante calor e pressão extremos, se converte em plasma e inicia a fusão.

O HL-2M é o maior e mais avançado tokamak criado pela China, segundo informações da Companhia Nacional Nuclear da China (CNNC, na sigla em inglês).

Segundo seus criadores, o HL-2M pode processar mais do que o dobro de plasma do que outros aparelhos do país.

"É um importante equipamento de apoio para alcançar o avanço da energia de fusão nuclear da China", diz um comunicado da CNNC.

 

Olhando para o futuro

A CNNC também destaca que o "sol artificial" é uma "plataforma indispensável com a qual a China pode absorver a tecnologia ITER (International Thermonuclear Experimental Reactor)".


CRÉDITO,GETTY/ O ITER é o maior experimento de fusão nuclear do mundo


O ITER, que está sendo construído na França, é o maior projeto de fusão nuclear do mundo, envolvendo a União Europeia, Estados Unidos, Índia, Japão, Coréia do Sul, Rússia e China.

O objetivo do ITER é construir um tokamak que possa produzir 500 MW de energia até 2025.

Um reator que gera 500 MW de energia seria suficiente para abastecer cerca de 200 mil residências ao mesmo tempo.

O experimento ITER não será capaz de converter a energia que produz em eletricidade, mas pretende ser o primeiro experimento de fusão que gera mais energia do que consome.

As informações do HL-2M "serão uma contribuição útil para o funcionamento futuro do ITER e permitirão que os pesquisadores chineses se beneficiem dos resultados do ITER", disse Stewart Prager, pesquisador do Laboratório de Física de Plasma da Universidade Princeton, nos EUA.

 

Entusiasmo e ceticismo

Apesar da empolgação com os avanços no campo da energia por fusão nuclear, alguns especialistas mantêm o ceticismo.

Até agora, tem sido difícil tornar a energia de fusão comercialmente viável porque os cientistas não foram capazes de gerar energia suficiente a partir das reações.

Os tokamaks de hoje consomem mais energia do que produzem.

"Não estou muito animada", disse Chary Rangacharyulu, especialista em física nuclear da Universidade de Saskatchewan (Canadá), à BBC News Mundo (serviço da BBC em espanhol), referindo-se ao anúncio do "sol artificial" da China.

Rangacharyulu menciona que o alto custo desses projetos e o tempo que leva para produzir um modelo experimental "não o convencem" de que eles são a solução para o problema energético mundial.

O professor acrescenta que geralmente não é "muito otimista" em relação à energia de fusão nuclear, porque, ao contrário da fissão, a reação não se sustenta.

"Quando a reação em cadeia é desencadeada na fissão nuclear, ela pode continuar e só temos que controlá-la", diz o especialista.


CRÉDITO,GETTY/ ENTUSIASTAS DA FUSÃO NUCLEAR ACREDITAM QUE ELA POSSA SE TORNAR UMA FONTE DE ENERGIA MAIS LIMPA E SEGURA

"O processo de fusão não é uma reação em cadeia, tem que haver um fornecimento constante de partículas para sustentar a reação.

Por fim, Rangacharyulu alerta que a energia de fusão não é totalmente limpa, pois pode produzir nêutrons que podem gerar radioatividade.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirma que a fusão nuclear é uma das "fontes de energia mais ecologicamente corretas", mas alerta que reduzir o influxo de nêutrons na estrutura de um reator "é um grande desafio para futuros experimentos de fusão".

Por outro lado, a China mantém seu entusiasmo com a tecnologia.

De acordo com o CNNC, o país pretende desenvolver um reator de fusão experimental em 2021, construir um protótipo industrial até 2035 e iniciar o uso comercial em larga escala até 2050.

"Ainda faltam algumas décadas para que a fusão gere energia em uma escala comercialmente significativa", conclui Prager, da Universidade Princeton.

 

Carlos Serrano (@carliserrano)
BBC News Mundo
8 dezembro 2020
 
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55231500

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Tudo o que você precisa saber sobre energia estática

 


A cena é clássica e já foi usada até em filmes de Hollywood: a pessoa atravessa a sala, caminhando sobre o carpete do escritório ou da casa e, ao tentar abrir a porta, leva um choque no trinco. Muitas vezes, é possível até mesmo ouvir um estalo ou ver uma pequena faísca saindo do contato entre a mão do sujeito e a maçaneta.

No inverno, algo semelhante costuma acontecer. Ao retirar uma blusa de lã, é comum ouvirmos uma série de barulhinhos, como se pequenas descargas elétricas estivessem acontecendo naquele momento. E acredite: elas estão!

Ambas as situações descritas acima são causadas pela energia estática, o acúmulo de cargas elétricas na superfície de objetos e até dos nossos corpos.

 



Energia estática na prática

A Ciência, por si só, já é divertida. Mas fica ainda melhor quando podemos colocar a teoria em prática e constatar a existência de fenômenos físicos. Por isso, antes de cairmos no papo sobre o átomo e suas partículas, preparamos duas experiências que ajudam a presenciar os efeitos da energia estática. Vamos a elas!


1. Distorcendo a água


Com a energia estática é possível desviar um pequeno fluxo de água de seu curso natural. Para isso, você precisará de:

  • 1 balão de festa de aniversário;
  • 1 torneira aberta.

Antes de tudo, encha o balão de ar. Depois, esfregue o balão rapidamente sobre sua cabeça. Se, por acaso, você tiver passado no vestibular e estiver careca, friccione o balão contra um tapete ou uma blusa de lã. O efeito será o mesmo e a superfície do balão ficará estaticamente carregada.

Depois, abra levemente a torneira, para que escorra um pequeno filete de água. Ao aproximar o balão da água, é possível vê-la se inclinando, sendo atraída pela bexiga. Caso a água encoste no balão, as cargas serão equilibradas novamente e o efeito deixará de ocorrer.

A propósito: se você precisar usar o mesmo balão para decorar uma sala e estiver sem fita adesiva, pode friccioná-lo novamente contra o seu cabelo e, depois, encostá-lo na parede do cômodo. A energia estática se encarregará de manter o balão grudado à parede, como se estivesse colado.

 

2. Balões que se repelem


Cargas opostas se atraem e similares se repelem. Isso é fácil de constatar com pedaços de ímãs. Mas também podemos verificar essa regra com a energia estática. Antes, será necessário obter os seguintes objetos:

  • 2 balões de festa;
  • um pouco de linha; e
  • 1/2 cartolina.

Encha os balões e amarre cada um deles em uma das extremidades da linha. Depois, friccione os balões em uma blusa de lã ou no seu próprio cabelo. Ao suspendê-los, segurando-os pelo fio de costura, eles se manterão afastados um do outro, já que ambos possuem a mesma carga.

Porém, ao posicionar a cartolina entre os balões, eles são atraídos pelo papel, que possui uma carga diferente. Ao retirar a cartolina, os balões voltam a se afastar. O efeito é semelhante ao do vídeo acima.

 

Mas afinal, como surge a energia estática?

 

Para começar, dê uma olhada ao seu redor. Tudo o que você vê ― e até aquilo que não consegue enxergar, como o ar ― é composto por átomos. Nós, seres humanos, também não escapamos disso: somos um amontoado de átomos. E, grosso modo, podemos dizer que os átomos são formados por três partículas com cargas elétricas diferentes:

  • prótons, que possuem carga positiva;
  • elétrons, com carga negativa; e
  • nêutrons, que não possuem carga.

Prótons e nêutrons se concentram no núcleo do átomo e, normalmente, não saem de lá. Já os elétrons orbitam esse núcleo e possuem um pouco mais de liberdade, podendo, inclusive, mudar de um átomo para outro. Assim, quando um átomo perde elétrons, ele possui mais carga positiva do que negativa. E aquele que ganha elétrons acaba com mais carga negativa.

Alguns materiais, chamados de isolantes, não favorecem a movimentação de elétrons através deles, como o vidro, plástico ou tecido. Em contrapartida, os materiais chamados de condutores permitem que os elétrons passeiem livremente por eles. Esse é o caso dos metais, por exemplo.

Quando dois materiais isolantes diferentes são esfregados juntos, elétrons são transferidos de um material para o outro. Quanto mais tempo eles forem esfregados, mais elétrons serão transferidos e maior será a carga elétrica acumulada pelos objetos. A energia estática é o acúmulo dessas cargas nas superfícies dos objetos.

O caso do choque na porta


Já ouviu falar de que os opostos se atraem? Pois, neste caso, a regra é levada muito a sério. Se dois objetos possuem cargas elétricas opostas, eles se atraem. Caso as cargas sejam iguais, eles se repelem, ou seja, se afastam um do outro. Com isso em mente, fica mais fácil entender por que as pessoas podem tomar choque ao abrir a porta.

Ao caminhar sobre um carpete, o corpo da pessoa acumula elétrons que se desprendem do “chão”. Ao tentar abrir a porta, essa carga negativa acaba sendo transferida para o metal do trinco, que é um material condutor. É nesse momento que a pessoa sente o choque estático.

O evento é mais frequente no inverno, quando o ar está mais seco. Durante o verão, a umidade do ar acaba aliviando a carga elétrica extra que o corpo humano pode carregar. Por isso, uma das formas de evitar choques estáticos é manter um umidificador no ambiente.

 

Energia estática pode danificar seu PC


Apesar de parecer inofensiva, a energia estática pode causar danos irreparáveis a algo que gostamos muito: os componentes de nossos computadores. Não é à toa que técnicos que trabalham com manutenção de PCs se preocupam, constantemente, em se livrar das cargas acumuladas em seus próprios corpos. Caso contrário, eles podem descarregar essa eletricidade, sem querer, nos componentes eletrônicos que estiverem manuseando.

Para ter uma ideia de quão devastadora pode ser a energia, basta saber que uma pessoa chega a acumular uma carga de 12.000 volts em seu corpo ao caminhar sobre um carpete, sendo que apenas 10 volts seria o suficiente para danificar um microchip. Felizmente, essa energia não costuma trazer riscos à vida humana, já que possui baixa amperagem.

Sendo assim, antes de iniciar a manutenção em seu PC, lembre-se de se livrar de toda a energia estática presente em seu corpo. Para isso, você pode encostar suas mãos em superfícies metálicas não pintadas, como a fonte de alimentação do computador.

 

Como evitar a energia estática


Mesmo que você não trabalhe com a manutenção de computadores, pode ser que queira ficar livre dos pequenos choques ou pelo menos reduzir, ao máximo, as chances de acabar queimando um pente de memória ou disco rígido ao manuseá-lo. Para isso, existem diversas dicas que podem ser seguidas para reduzir o acúmulo de energia estática no próprio corpo.

Para começar, é necessário evitar, ao máximo, o contato frequente com outros objetos. Afinal, a maneira mais fácil de ganhar ou perder elétrons é friccionar suas mãos ou pés em objetos como tapetes e blusas de lã. E por falar em roupas, tente usar sempre peças feitas de fibras naturais, como o algodão, já que fibras sintéticas (como nylon e poliéster) costumam acumular mais energia estática.

Já que estamos falando de boa aparência, cabe mais uma dica: quem costuma secar os cabelos antes de pentear pode usar um secador com emissor de íons, que ajuda a neutralizar a carga acumulada nas madeixas.

Além disso, há também as pulseiras antiestáticas, que podem ser usadas diariamente. Porém, não adianta apenas carregá-las no pulso: é necessário que elas sejam conectadas a um sistema de aterramento para que a energia seja descarregada.

Os mais corajosos podem apelar para dispositivos emissores de partículas alfa, construídos com polônio. A princípio, esses dispositivos são inofensivos, mas vale a pena avisar que o polônio é considerado como o mais letal de todos os venenos. Vai arriscar?

 

https://www.tecmundo.com.br/ciencia/16339-tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-energia-estatica.htm

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Centro da Terra está esfriando mais rápido: quais podem ser as consequências?

O interior do planeta Terra tem um núcleo que permaneceu quente por mais de 4,5 bilhões de anos, mas que lenta e inevitavelmente está esfriando.


© Getty Entre o núcleo e o manto da Terra ocorrem reações que determinam as dinâmicas do planeta

O núcleo da Terra é chave para a vida. Se um dia ele se apagar, o planeta se converterá numa gigantesca rocha fria e inerte. Agora uma pesquisa recente calculou que esse esfriamento está ocorrendo mais rápido do que se pensava.

Esse esfriamento ocorre em escalas de milhares de milhões de anos, portanto, por mais rápido que ocorra, nenhum de nós estará vivo para ver como seria essa morte fria do planeta.

Os especialistas, no entanto, concordam que investigar esses processos naturais é chave para compreender melhor a evolução da Terra e os fenômenos que afetam a vida no planeta.

Mas em que consiste esse esfriamento e como descobriram que ele está ocorrendo mais rapidamente do que se pensava?



© Getty A Terra é formada por um núcleo interno, um núcleo externo, o manto e a crosta.


O interior da Terra

O núcleo da Terra fica a quase 3.000 km de profundidade da crosta terrestre, com um raio de 3.500 km. As temperaturas do núcleo podem flutuar entre 4.400° C e 6.000° C, temperaturas simulares às do Sol.

O núcleo interno é uma esfera sólida, composta majoritariamente de ferro. O núcleo externo é formado por um líquido maleável, composto de ferro e níquel. É no núcleo externo que se forma o campo magnético da Terra, que protege o planeta dos perigosos ventos solares. A colossal quantidade de energia térmica que emana do interior do planeta coloca em marcha fenômenos como as placas tectônicas e a atividade vulcânica.

Além disso, nas fronteiras do núcleo ocorre um processo que foi crucial para o novo estudo: a convecção do manto terrestre, que se refere à transferência de calor do núcleo até o manto.

© Getty As temperaturas do núcleo terrestre são similares às do Sol

A fronteira do núcleo

Os cientistas não sabem exatamente quanto tempo levará para a Terra esfriar até o ponto em que os fenômenos naturais que impulsionam o núcleo parem de ocorrer ou que o campo magnético desapareça, por exemplo.

Uma equipe do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique (ETH) e da Carnegie Institution for Science, nos Estados Unidos, acredita que a chave para desvendar esse mistério está nos minerais que transportam calor do núcleo para o manto.

Esta região fronteiriça é constituída principalmente por um mineral chamado bridgmanita, que tem uma estrutura cristalina e só pode existir sob grande pressão, a partir de cerca de 700 km de profundidade.

Não existe tecnologia para escavar e estudar minerais nessa profundidade, então o professor da ETH Motohiko Murakami projetou um experimento para simular essas condições em laboratório.

© Getty

Pressão e temperatura

Murakami e seus colegas desenvolveram um método para medir a quantidade de calor que a bridgmanita pode conduzir. O que eles fizeram foi fabricar um diamante bridgmanita a partir dos elementos que compõem esse mineral.

Eles então inseriram o cristal em um dispositivo que simula a pressão e a temperatura que prevalecem no interior da Terra. Dentro do dispositivo, eles dispararam pulsos de feixes de laser que irradiaram e aqueceram o mineral, em um processo conhecido como "medição de absorção óptica".

Dessa forma, eles puderam ver como o mineral reagia em diferentes pressões e temperaturas. "Esse sistema de medição nos permitiu mostrar que a condutividade térmica da bridgmanita é cerca de 1,5 vezes maior do que se supunha anteriormente", diz Murakami em comunicado.

Segundo o pesquisador, isso indica que o fluxo de calor do núcleo para o manto também é maior do que se pensava anteriormente.

O resultado do experimento sugere que quanto mais rápido o calor é transferido do núcleo para o manto, mais rápido o calor é perdido do núcleo, o que acelera o resfriamento da Terra.

Alem disso, os autores acreditam que esse esfriamento mudaria a composição dos minerais do manto.

Quando a bridgmanita esfria, ela se transforma em outro mineral chamado pós-perovskita.

A pós-perovskita conduz o calor com muito mais eficiência do que a bridgmanita, então, à medida que a bridgmanita no limite do manto se converte em pós-perovskita, a Terra esfria ainda mais rapidamente, dizem os pesquisadores.

Destinados a morrer?

Esse resfriamento mais rápido pode ter várias consequências, observam os autores do estudo. Por um lado, pode fazer com que as placas tectônicas, que são mantidas em movimento pelo fluxo do manto, desacelerem mais rápido do que o esperado.

"Nossos resultados podem nos dar uma nova perspectiva sobre a evolução da dinâmica da Terra", explica Murakami.

Murakami, no entanto, adverte que, neste momento, eles não podem estimar quanto tempo levará para esse resfriamento interromper a atividade no manto.

© Getty


Para isso, eles precisam entender melhor a dinâmica do manto e as reações dos elementos que o compõem.

"Este estudo oferece uma nova visão do principal processo geológico que afeta planetas rochosos (como a Terra): a velocidade com que eles esfriam", disse à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, Paul Byrne, professor de Ciências Planetárias e da Terra da Washington University em Saint Louis, Estados Unidos, que não esteve envolvido na pesquisa.

"Marte, Mercúrio e a Lua esfriaram tanto nos últimos 4,5 bilhões de anos que, geologicamente falando, são essencialmente inertes."

Portanto, diferentemente da Terra, Marte, Mercúrio e a Lua não possuem placas tectônicas, explica o especialista. "É esse o destino que aguarda nosso mundo?" Byrne se pergunta.


Centro da Terra está esfriando mais rápido: quais podem ser as consequências? (msn.com)

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terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Inscrições para a 1ª Olimpíada Brasileira de Restauração de Ecossistemas


Estão abertas, desde 26/01, as inscrições para a 1ª edição da Restaura Natureza – Olimpíada Brasileira de Restauração de Ecossistemas – desenvolvida pela WWF Brasil em parceria com o Quero na Escola. Trata-se de uma competição escolar colaborativa que integra a Década das Nações Unidas e é voltada a estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental (do 7º ao 9º ano).

No evento, são abordados temas atuais que dialogam com o Currículo Paulista, podendo contribuir especialmente para o desenvolvimento de Temas Contemporâneos Transversais previstos no documento, tais como a Educação Ambiental e o Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. São também apresentados Planos de Ação que podem inspirar a comunidade escolar a realizar atividades voltadas à restauração de ecossistemas. Dada a urgência do tema, ampliar processos integrados de regeneração natural é fundamental, assim como o combate à degradação da natureza e o enfrentamento da crise climática.

A olimpíada tem duas fases. A primeira, que vai de 26 de janeiro a 16 de março, é totalmente on-line e individual, realizada pelo site. Ela é composta de perguntas de múltiplas respostas sobre nove temas formativos, que desafiam os participantes a testarem seus conhecimentos e buscarem novos aprendizados. Os temas abordados nessa fase da olimpíada são: Legislação e Proteção; Diferenças entre biomas; Conservar; Povos originários e tradicionais; Mudanças climáticas; Serviços ecossistêmicos; Comunidades; Escassez hídrica; e Técnicas de Restauração. Os(as) estudantes 11 acumularão pontos nessa etapa e, paralelamente, aprendizados e inspirações para realizar a fase final. Também é possível ganhar pontos convidando amigos(as) para participar da Restaura Natureza.

A segunda fase é a etapa prática da olimpíada e será aberta em 21 de fevereiro. Os estudantes, organizados em grupos de até 5 pessoas com acompanhamento de um(a) professor(a) responsável, terão aproximadamente 2 meses para elaborar e executar uma ação relacionada ao tema da Restauração. Estas ações poderão ser de plantio, uso de tecnologia, incidência política, campanhas de engajamento, entre outros. Todos os grupos que enviarem um relato de suas ações concorrerão em duas categorias: Avaliação da Comissão Julgadora e Voto Popular. Cinco iniciativas serão premiadas em cada categoria, recebendo certificados e prêmios definidos pelos organizadores do evento.

No desenvolvimento da Restaura Natureza em 2021, foram consideradas as demandas de comunidades escolares, identificadas em um processo de escuta realizado em escolas de diversas cidades brasileiras. Destacamos ainda que a Rede WWF, da qual o WWF Brasil faz parte, é parceira global da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas 2021-2030.

 

Quando:

Primeira Fase: de 26 de janeiro a 16 de março;

Segunda Fase: de 21 de fevereiro a 28 de abril.

 

Para mais informações, acesse o regulamento.

 

Contamos com o apoio das 91 Diretorias de Ensino na divulgação das informações para as unidades escolares das suas respectivas regiões.

 

Em caso de dúvidas, entrar em contato pelo e-mail:

coped.decegep.cefaf@educacao.sp.gov.br.


Resultado do 2º Concurso de vídeos de Ciências do Canal Ciência? Eureka!

   Segue a lista dos trabalhos vencedores do  2º Concurso de vídeos de Ciências do Canal Ciência? Eureka!. A competição foi realizada em par...